Archive for the ‘Política’ Category

Os personagens públicos e suas vocações

August 24, 2005

A vocação específica da pessoa fica evidente em dois momentos extremos: quando ela a nada está obrigada ou quando as circunstâncias a obrigam fortemente a fazer alguma coisa. Nessas duas condições, o coração, a vontade e o entendimento se unem e dão base para a ação do espírito, que então escolhe certas alternativas e e rejeita outras. É portanto nessas horas que se age verdadeiramente em conformidade com sua vocação.Alguns personagens cujos perfis cognitivos e vocacionais eu trouxe a público, com base em dados que observei e informações que coletei deles — Marcos Valério, Delúbio dos Santos, José Dirceu — estão na obrigação de fazer algo para livrar a própria pele. É quando então agirão fundados em suas vocações e terão suas idéias melhores e mais eficientes, as quais poderão até não funcionar, pois isso dependeria de muito mais coisas. Contudo, as soluções que propuserem devem ser vistas como expressão de sua máxima inteligência e unidade pessoal, isto é, deverão ser vistas como exteriorizações de suas vocações. Podem mostrar pouca inteligência e certamente mostraram baixa unidade pessoal, mas é o máximo que esses indivíduos atingirão por estarem com o coração, a vontade e o entendimento todos voltados para este momento de desespero. Observe então os contornos da vocação de cada um deles, personagens cujas ações e omissões pesam tanto sobre nossas vidas.

Pode estar certo que assim fazendo, você conseguirá enxergar com grande clareza porque o momento do sufoco é privilegiado para a descoberta da vocação. Aplique então a compreensão que obtiver sobre este maravilhoso tema da vocação e de sua descoberta ao próprio caso. Esta atitude reflexiva fortalecerá enormemente seu espírito.

O possível efeito (des)educacional das CPIs

August 7, 2005

O conhecimento da vocação resulta muito mais de observar o que a pessoa realmente faz do que de escutar o que ela fala. Por quê? Porque a relação entre a vocação da pessoa e suas intenções declaradas é a mesma que há entre o exemplo e o conselho. Se um pai diz para o filho que ele deve ser responsável e dedicado com seus deveres escolares e ao mesmo tempo chega em casa mal humorado, falando mal do seu emprego, o que efetivamente está ensinando a seu filho é o contrário do que pretende, já que o exemplo é mais forte que o conselho.

Assistindo às CPIs, exibidas em todo o país com recordes de audiência, me pergunto: o que realmente está sendo ensinado ao povo? Contrariamente às que podem ser as intenções dos parlamentares mais sérios delas encarregados, o que pode estar sendo ensinado é que a melhor coisa, a mais decisiva e importante, é ter dinheiro, muito dinheiro; que quem possui muito dinheiro está livre de cadeia, ou se vai preso, é por pouco tempo, não importando a força e a quantidade das provas que tenha contra si.

O cidadão comum, que freqüenta os mercados, os feirões e demais lugares em busca de preços menores, está acostumado a ver a polícia jogar no camburão pivetes que furtam coisas de pouco valor. Porém, não vê o mesmo acontecer com pessoas endinheiradas, cujos advogados interpõem recursos que dilatam enormemente o tempo entre a demonstração da culpa e a pena, ficando a forte impressão de que no fim tudo acaba em pizza. São exibidas provas ou fortes indícios de algum tipo de crime, mas não a punição que certamente ocorreria caso o acusado fosse gente pobre, confirmando que tendo dinheiro pra distribuir, o resto se ajeita.