Pessoas bem-sucedidas

By Joel Nunes dos Santos

Aproveito a ocasião em que analisei algumas respostas ao questionário vocacional que desenvolvi, denominado Da vocação à profissão, para basear algumas considerações a respeito do tema “êxito na família”.

A finalidade do citado questionário é ajudar o participante na escolha de profissão que combine com sua vocação. Para tanto, depois de muito refletir sobre esta tarefa, conclui que três questões seriam suficientes para dar-lhe boa base. As questões podem ser assim resumidas: 1) como você se imagina capaz de ganhar dinheiro;  2) quem é a pessoa bem-sucedida em sua família; 3) que profissão pensa seguir.

A objetividade da análise-resposta varia com a riqueza das informações prestadas. O que não foi o caso das respostas de Rita, atualmente com 20 anos. À primeira questão (como ganharia dinheiro) respondeu “trabalhando”; à segunda (quem é o bem-sucedido em sua família), “ninguém” e à terceira (que profissão pretende), “não sei”.

Baseado nessas respostas, elaborei a análise que abaixo lhe dou a conhecer, leitor. Nela há o essencial do que importa saber sobre o sucesso na vida do homem. A diferença entre este artigo e a resposta que enviei para Rita é apenas de superfície: fiz as adaptações necessárias para que o escrito pudesse caber dentro do título “artigo”.

Prezada Rita,

baseado nas informações que você forneceu em suas respostas, é possível tirar algumas conclusões que poderão ser úteis a você na difícil tarefa de escolher uma profissão.

Em primeiro lugar, você manifesta uma mente sadia, na medida em que enxerga o trabalho como condição para ganhar dinheiro. Não é pequeno o número dos que têm pensamento diferente do seu, desejando possuir dinheiro e o que este compra sem se dispor a trabalhar para isso. Muitos preferem obter dinheiro roubando, enganando a quem possam,   deste modo se beneficiando dos resultados positivos e concretos do trabalho alheio. Vivem parasitariamente, beneficiando-se a si próprios e prejudicando seus “hospedeiros”.

Só por esta resposta é possível perceber que, ao contrário do que você respondeu na segunda questão – “NINGUEM” – , sobre quem é o mais bem-sucedido em sua família, há sim em sua família quem tenha tido êxito. Para admitir isso, basta considerar que o êxito possui diversos graus, não se restringe só ao ganho de quantidades enormes de dinheiro. Ainda que em sua família ninguém tenha conseguido ganhar muito dinheiro, a ponto de poder adquirir bens caríssimos ou contratar serviços igualmente caros (viajar para países estrangeiros, ir a hotéis caros, participar de eventos caros, ser atendido pelos mais diversos e caros especialistas, etc.), uma coisa não se discute: alguém em sua família conseguiu providenciar os meios necessários que lhe permitiram ser quem você é, não só em termos físicos e de aparência, como também intelectuais.  

Essa pessoa pôde providenciar-lhe alimentação  e vestuário adequados, boa escola, a um ponto tal que você hoje é capaz de acessar um serviço que presume refinada cultura. Não é qualquer pessoa que poderia acessar o site da UniverCidade, em seguida escolher a seção de seu interesse e, nela, procurar obter auxílio (sob a forma de idéias) capaz de provocar efeitos positivos e concretos em sua vida presente e futura – pois ter idéia a respeito de que profissão lhe convém é aderir a uma idéia capaz de alterar materialmente sua vida. Para tudo isso fazer é necessário que alguém a tenha cumulado de atenção traduzida não por abraços e beijos mas também pela doação e viabilização desinteressada de bens e serviços necessários ao seu sadio desenvolvimento da personalidade. Sem essas contribuições, não seria muito possível dar-se mutações em sua inteligência que a tornariam capaz de raciocínios abstratos, capacidade o que você manifestamente possui. Caso não possuísse, não iria procurar um meio tão pouco físico como os conselhos de um orientador vocacional; conselho que, aceito, a faria direcionar suas ações e escolhas numa certa direção, para obter resultados que só se mostrariam passados vários anos. E já vimos que a resposta que você deu à primeira questão deixa claro que o desenvolvimento de sua personalidade e inteligência foi sadio e bom. Portanto, há sim quem tenha sido bem-sucedido em sua família – a pessoa que cuidou e educou você.

Para compreender o valor do êxito obtido por quem cuidou de você, providenciando-lhe alimentação, carinho, aconchego, apoio, vestuário, moradia, estudo, etc., é só imaginar o quanto você mesma poderia fazer por alguma criança que estivesse sob sua responsabilidade. Como conseguiria providenciar-lhe bens e serviços capazes de torná-la tão refinada aos 20 anos quanto você o é nesta idade? É tarefa muito difícil, impossível a quem não tenha tido êxito na vida.

Pode dar-se em sua vida que a pessoa que providenciou as condições materiais para você ser quem e como é, tenha sido sua mãe. Vou supor que tenha sido ela e que ela seja “do lar”, já que esta denominação gera na mente de muitos a impressão de que se trata de adulto não qualificado para um trabalho realmente “sério” e profissional. Porque enganosamente  alguns acreditam que ser “do lar” é mais fácil do que ser um psicólogo, um contador, um advogado, etc.

Não coincide com os fatos da vida a crença de que é mais fácil ser “do lar” do que ser um profissional fora de casa. Porque todas as profissões, a psicologia, a contadoria, a advocacia, etc., são instrumentos que o homem criou para aperfeiçoamento do próprio homem, tanto quanto uma mulher “do lar” trabalha pelo aperfeiçoamento dos que tenha sob seus cuidados. É evidente que uma mulher “do lar” (como estou supondo ser o caso de sua mãe) conseguiu, com seu trabalho, fazer surgir alguém como você, sadia, que pensa resolver os problemas materiais da vida trabalhando. Será que se pode supor que os filhos ou clientes dos psicólogos, contadores, advogados, etc., todos eles, desenvolvem personalidade e inteligência igualmente sadias? Caso assim fosse, não seríamos bombardeados todo dia, pelos jornais, com notícias de crimes e escândalos de todo tipo, provocados pelos mais diversos e cultos profissionais ou por seus filhos ou clientes. A verdade é que o êxito e o fracasso se dão em todo tipo de vida, familiar, social, profissional…

Ser “bem-sucedido” significa que a pessoa foi e é capaz de não apenas cuidar bem de si mesma como também dos que estejam  sob sua responsabilidade. É pela quantidade de indivíduos “cuidados” que se mede o tamanho do êxito do profissional, da dona-de-casa e de todo e qualquer ser humano adulto. A escala que mede o valor do trabalho tem como medida a qualidade e quantidade com que contribui para o aperfeiçoamento do homem. De que adianta alguém ter muito dinheiro e, graças a isso, espalhar a desgraça na vida de muitos? No século XX tivemos vários exemplos de ditadores que só fizeram isso.  Só porque todos ficaram ricos, nem por isso se pode dizer que tenham sido modelos de pessoas bem-sucedidas na vida.

É fácil supor que o sujeito que ganhou ou ganha uma quantidade maior de dinheiro que os demais é o mais bem-sucedido. Porque quem possui muito dinheiro consegue desencadear efeitos visíveis e de fácil compreensão mesmo pelas pessoas mais simples e incultas: ele pode mandar construir edifícios, pode criar sofisticados meios de transportes e de comunicação, hipermercados,  utilidades essas que atendem às necessidades cotidianas e de longo prazo de milhares de pessoas. Já não é coisa tão simples e fácil enxergar o êxito dos que simplesmente, de maneira anônima, criaram e educaram alguém que, no futuro, venha a se tornar um grande profissional, ou uma “pessoa do bem”, que viva espalhando o bem na vida de muitos. Trabalhos que geram personalidades e inteligências deste tipo são anônimos, requerem muitos e muitos anos regados pelo amor e compaixão com o próximo,  o que descreve com muita propriedade o trabalho das pessoas “do lar”. Por exemplo, é possível perceber em suas respostas a presença de um espírito ativo, impaciente, ansioso por respostas. Dotada de um espírito assim, digamos que você venha a se destacar e muito na vida social e profissional. Quantos seriam capazes de ver, por trás do seu êxito, o trabalho anônimo e paciente da sua mãe (ou de quem cuidou de você)? A vida dos homens é semelhante às árvores: cada uma só dá os frutos que lhe são próprios.

Colocadas as coisas desta maneira, resta que você observe sua mãe (ou quem cuidou de você) e analise que capacidade ela possui a ponto de conseguir dar-lhe base intelectual e moral tão boas. Digamos que para isso sua mãe vendesse salgados: ou seriam salgados feitos por ela própria ou por terceiros. Se forem feitos por ela, imagine o que ela não faria caso tivesse feito faculdade de, digamos, Nutricionismo? Por certo que conseguiria tornar-se uma respeitada chef de cuisine. Mas o salgados eram produzidos por terceiros. Então sua mãe atuou como intermediária, como comerciante, como administradora, como empresária, etc..Que cultura seria capaz de potencializar profissionalmente sua competência: Comércio Exterior? Administração? Marketing?… Pois ela certamente mostrou-se capaz de “vender o peixe”, tanto que os transformou em dinheiro, com o qual pagou sua alimentação, remédios, roupas, moradia, escola, etc.. O estudo universitário não a modificaria, mas apenas lhe daria instrumentos capazes de amplificar sua força para pensar e agir, permitindo-lhe viabilizar recursos econômicos em muito maior quantidade, os quais alimentariam, vestiriam, educariam outros que não os filhos que tenha posto no mundo. 

Observando portanto sua mãe (ou quem cuidou você), é possível nela notar a presença de uma inteligência diferenciada, caso contrário não conseguiria converter “peixes” em dinheiro. E aí surge a pergunta: como você poderia, a seu próprio modo, imitá-la? Se você responder esta questão, estará definindo qual sua receita de êxito e, em resultado, que profissão combina com você.

Tenha em mente que toda e qualquer pessoa que queira agir concretamente sobre o mundo, no início age imitando alguém. Não há político que não viva tentando imitar alguém, seja  seu modelo um estadista ou um espertalhão, um parasita “bem-sucedido”. É regra que vale para todo ser humano, músicos, vendedores…até para os ladrões.

Portanto, Rita, saiba que você é quem é porque alguém em sua família teve êxito. Observe como esta pessoa trabalhava (e trabalha), que isto a ajudará a perceber novos e úteis dados que lhe permitirão para cada ítem do questionário dar respostas mais detalhadas. Eu teria enorme prazer em analisar suas novas respostas. Pois o que mais faz o gosto é ser útil a quem esteja ou possa estar no caminho de ser pessoa bem-sucedida.

Felicidades.

 

 

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