A vocação e o equilíbrio psicológico

By Joel Nunes dos Santos

(Artigo publicado no Consultório Vocacional da UniverCidade – www.UniverCidade.edu/pop)

Cada pessoa possui facilidade para desenvolver e aprimorar uma força interior que lhe permite manter-se dona de si nas situações desafiantes. Tais forças têm sido ao longo da história conhecidas pelo termo "virtude", uma vez que a raiz virtù desta palavra significa "força".

Os desafios podem dirigir-se à parte irracional à parte racional da pessoa. As virtudes que permitem a vitória nos desafios à parte instintual são a fortaleza e a temperança; à parte racional, prudência e justiça.

Fortaleza é a capacidade para ter coragem quando o desafio põe em risco a vida. O indivíduo, nessas horas, deve ser capaz de atacar o que pode destruí-lo. Quando lhe falta tal virtude, ele simples corre, dá no pé, age de maneira covarde. Temperança é a capacidade para o sujeito não se corromper devido ao interesse por comida, bebida ou sexo. O dinheiro é o meio capaz de viabilizar tais coisas. Por isso os jornalistas e analistas políticos denominaram, com grande sabedoria, aos políticos que demonstram tal tipo de fraqueza de "fisiológicos". Prudência é a capacidade para saber quando agir ou deixar de agir, quando "ir para cima ou afinar". Justiça , o equilíbrio no trato com as coisas alheias, a capacidade para não ficar com o que pertence ao outro e também para dar ao outro o que ao outro pertence.

A vitória sobre os desafios à parte irracional depende da aquisição de certos hábitos ou costumes, os quais resultam da educação que a criança recebe na família e, em prosseguimento, na escola. Em latim, "costume" é denominado mores, daí o nome moral, a qual resulta portanto da educação adequada da parte irracional e afetiva de sua personalidade. Recentemente, sob o nome de inteligência emocional, o psicólogo Daniel Goleman tornou conhecidas as vantagens pessoais, sociais e profissionais da educação desta parte da personalidade. Quando um controle similar deve incidir sobre princípios coletivos e sócio culturais, conservou-se a designação baseada no termo grego ethos, de onde temos "ética". Daí ética significar o respeito por cada pessoa de regras a serem respeitadas por todos. Como para tanto é preciso perceber o mundo à volta como dado objetivo, a parte da personalidade envolvida tem necessariamente de ser a racional.

É papel da educação auxiliar cada indivíduo na aquisição de tais forças interiores ou virtudes.

A vocação, dentre outras coisas, dota a pessoa de facilidade para o desenvolvimento de uma ou várias dessas forças. Assim, há jovens que prometem ser bons administradores porque neles se nota a força do senso de justiça, a capacidade para atribuir a cada um o que lhe pertence, por isso manifestam aptidão para negociar sem que o ceder lhes pareça derrota ou ofensa pessoal e o avançar lhes soe como desejo de humilhar o concorrente. Outros prometem ser bons psicólogos, conselheiros, médicos, etc., já que são inclinados ao controle dos próprios instintos; outros, podem ser pessoas empreendedoras, vendedores, etc., já que não lhes falta coragem nas situações em que a média titubeia; outros, são excelentes pais porque sabem a ora de se impor ou deixar a coisa andar. E assim por diante, em conformidade com a multivariada dotação pessoal das pessoas.

Quanto mais a pessoa, se possível desde jovem, se proponha a tarefas compatíveis com a força (ou virtude) que possui ou que tenha facilidade para adquirir, mais psicologicamente equilibrado viverá sua vida. Menos chances terá de ser no futuro um carreirista fisiológico, um mau médico, um mau administrador, um irresponsável e covarde executivo, em suma, um mau profissional. Em razão do que vale a pena investir desde muito cedo numa boa educação, pois é daí que resultam pessoas psicologicamente equilibradas e profissionais competentes.

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